Blog do Orlando

Orlando Teixeira de Andrade

5/1/09

Entrevista do Dr. Hélio

Rose Guglielminetti
DA AGÊNCIA ANHANGUERA
rose@rac.com.br

Um entra e sai do gabinete do prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT), na última terça-feira à tarde, revelava que mudanças no secretariado estavam sendo gestadas para o novo mandato, que se inicia hoje. O pedetista entra em seu segundo governo contando com a ajuda de um velho companheiro, responsável por viabilizar muitas obras estruturais para a cidade e fundamentais para reconduzi-lo à principal cadeira do Palácio dos Jequitibás. Ele é grato ao presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. Mas já introduziu um outro peso-pesado em suas articulações políticas e parcerias com o Município: o governador de São Paulo, José Serra (PSDB). Parceria essa que ficou evidente durante as eleições deste ano, quando o tucano preferiu ficar distante do processo eleitoral e não fez campanha para o candidato do PSDB, o deputado federal Carlos Sampaio.

Em seu segundo mandato, Hélio fará poucas mudanças no secretariado. Irá nomear apenas cinco novos secretários (Meio Ambiente, Trabalho, Habitação, Cultura e Esportes). Algumas alterações também serão feitas na Administração indireta. Criticado fortemente na área da Saúde, o pedetista também irá priorizar a pasta. Um dos principais projetos do prefeito para os próximos quatro anos é a construção de um grande teatro na região central. Leia abaixo trechos da entrevista concedida por Hélio ao Correio Popular dois dias antes de encerrar o seu primeiro mandato como prefeito.

Correio Popular - A coligação que o elegeu engloba 12 partidos com histórias e ideologias completamente diferentes, como o PP, o DEM, o PCdoB e o PT. Como o senhor pretende governar com tantas visões políticas opostas? Haverá um loteamento de cargos entre os partidos?

Hélio de Oliveira Santos - Já passamos por essa experiência de governar com vários partidos nesse meu primeiro governo. Reunimos representantes de diferentes segmentos da sociedade civil, de comunistas a democratas. E conseguimos fazer isso sem conflitos porque separamos as questões ideológicas das administrativas. A experiência com oito partidos políticos deu certo. A população aprovou o plano de metas do governo pela maioria absoluta. Por isso, fomos aprovados no primeiro turno. Significa dizer que aquelas modificações que existirem na Administração serão pontuais.

O povo votou no Hélio ou nos partidos?

No plano de metas do governo, levando em conta o que deu certo. É lógico que houve problemas em áreas importantes e estruturais, como, por exemplo, a questão crônica da saúde pública, que foi registrada em todos os municípios. Porém, uma pesquisa apontou que somos a quinta cidade mais eficiente no Estado de São Paulo na aplicação de recursos em saúde pública.

criado por orlando.t.andrade    15:56 — Arquivado em: Política em Campinas e no mundo.

Entrevista

Os partidos são ávidos por cargos…

Não são os partidos. A política pública é assim. É constituída por representações da sociedade civil que defendem bandeiras: da Educação, da Saúde, das minorias e acaba contagiando o processo democrático das eleições. Nada mais justo que ter essas representações participando do governo. Em qualquer democracia moderna, seja aqui, seja com o (Barack) Obama (presidente eleito dos Estados Unidos) na América do Norte, participam aqueles que ajudaram na construção do processo e das metas de governo. Acrescida de servidores públicos de carreira.

Como será a distribuição desses cargos entre os partidos?

As participações serão realizadas a partir do encaminhamento dos partidos, respeitando-se graus de competência e estabelecendo-se avaliação de currículos. Teremos uma reformulação dos tais comissionamentos. Enviaremos um projeto de lei para a Câmara Municipal, algumas modificações que possam ter pelo menos dois aspectos: o primeiro é a função daqueles que estão em cargos em comissão. O segundo é ter atividade fixa para que não tenhamos suspeição não- republicanas de comissionados que não trabalham ou que não são aptos ao exercício de suas atividades públicas.

A Prefeitura continuará cedendo funcionários para a Câmara de Vereadores?

Cedemos servidores públicos para ministérios, para governos de outros estados e para outras prefeituras. Mas sempre de acordo com a lei.

O problema é que a cessão de servidores para vereadores funciona como moeda de troca entre os dois poderes…

Eu acho que isso tem que ser visto de outra forma. Eu não posso julgar que uma instituição como o Legislativo… Quando cedemos funcionários para a Justiça Eleitoral…

Só que, para a Justiça Eleitoral, são quatro cargos e na Câmara Municipal são mais de 40 cargos…

Ceder para a Câmara ou outros poderes é a mesma coisa. Se você me perguntar: é preciso avaliar isso? Sem dúvida, concordo com você: tem que ser avaliado.

criado por orlando.t.andrade    15:46 — Arquivado em: Política em Campinas e no mundo.

Entrevista

Há uma ação cível que tramita no Ministério Público de que o empréstimo de servidores para a Câmara é ilegal.

Se formos continuar nesta toada, vamos questionar, por exemplo, a possibilidade de os partidos encaminharem para o governo os seus currículos desejados para participarem da função pública…

É diferente. Os partidos fizeram uma aliança durante as eleições e querem governar junto com o senhor. O vereador constitui um outro poder, cuja função principal é fiscalizar o Executivo.

Há uma discussão sobre a fidelidade partidária. Os vereadores devem seguir os ditames dos partidos. E eles tomam assento, na maioria das vezes, nos diretórios. Então, como separar algo que é essencialmente do partido de algo que é encaminhado através dos vereadores aos partidos? Como diferenciar as duas questões? Os cargos públicos serão ocupados por aqueles que ganharam uma eleição. E isso será encaminhado pelos partidos que são formados por quem ganhou as eleições. O que seria ilegal é o Executivo começar a barganhar determinado voto de vereador… Aí é ilegal e seria combatido.

Quantos novos secretários o senhor nomeará para o segundo mandato?

Teremos uma Secretaria de Meio Ambiente e a de Trabalho e Renda. E a outra secretaria que será criada é a de Serviços Públicos.

Nesse caso, foi apenas uma renomeação…

Renomeamos, mas terá um espírito diferente. No ano que vem, teremos um conjunto de investimentos para obras estruturais muito grande do governo federal. Essa Secretaria de Infraestrutura estará sobrecarregada de trabalho, como prestação de contas, controle e fiscalização das obras.

Haverá mudanças entre os atuais secretários?

Fico com a maioria. Na Secretaria Municipal de Esportes entra Gustavo Petta (PCdoB). Na Habitação, entra André Von Zuben (PPS). Também mudo a titularidade da Secretaria de Cultura, mas ainda estou decidindo.

O que será priorizado em seu segundo mandato?

Ampliar todos os programas de inclusão social e melhoria na prestação de serviço para a população. Campinas, hoje, passou a ser a primeira metrópole não-capital do País, pela sua pujança e por todas as situações pelas quais Campinas vai passar na próxima década, como a ampliação do Aeroporto de Viracopos, implantação do trem rápido. Tudo isso traz riquezas para a região e o País. Mas, junto com essa riqueza, temos que trabalhar as oportunidades para aqueles que mais precisam. Temos que diminuir as diferenças sociais. Temos uma metrópole muito rica, porém, com um contingente de pobreza muito grande.

E como o senhor fará isso?

Pela melhora na qualidade da prestação dos serviços, principalmente na Saúde.

Onde está o gargalo na Saúde?

Construí as obras que haviam necessidade. Agora, precisamos de médicos qualificados e profissionais de saúde que possam dar assistência de qualidade para a população. Vamos manter concurso público continuado para que não haja intervalo com relação à falta de médicos. Também vamos ampliar o acesso ao atendimento de urgência e emergência, que é um gargalo nacional.

Há ainda demora no atendimento…

Tudo tem relatividade. Tem pessoas de outros estados que estão vindo a Campinas em busca de atendimento médico. A exigência é melhorar cada vez mais a qualidade dos serviços e isso é válido para aqueles que dependem única e exclusivamente do SUS (Sistema Único de Saúde), mas também para aqueles que dependem do sistema, por exemplo, as cooperativas médicas.

O senhor congelou os investimentos municipais?

Vamos congelar os investimentos municipais daquilo que possam ser projetos e programas novos. Os já iniciados continuarão até a finalização. E vamos reservar os 20% de contrapartida daquilo que é dinheiro novo de investimento federal. E, com isso, vamos ter uma verba substantiva para iniciar 2009. Conseguimos um investimento de quase meio bilhão de reais.

Há muito tempo a população de Campinas reclama da falta de infraestrutura do Teatro Municipal Castro Mendes. Neste segundo mandato, o senhor irá dar atenção a esse prédio?

Sai este ano (a reforma). Já temos verba.

criado por orlando.t.andrade    15:43 — Arquivado em: Política em Campinas e no mundo.

Entrevista

O Banco do Brasil deu como contrapartida para obter o direito de gerenciar a conta dos funcionários públicos R$ 30 milhões. A Prefeitura anunciou que seriam investidos em obras na Pedreira do Chapadão, como a construção de um teatro. Esse projeto não saiu do papel…

Utilizamos a verba em outros projetos, como na construção das naves-mãe. Teremos um novo teatro a um preço bem mais acessível.

Será na Pedreira?

Não. Será um dos mais bonitos teatros da região. É um projeto que eu solicitei ao Jaime Lerner (arquiteto e urbanista, ex-governador do Paraná) de um teatro para mil pessoas, com salas de concerto. Será instalado em um dos prédios no Centro (Fepasa). E também faremos a reforma do teatro do Padre Anchieta.

Os ambientalistas têm criticado a sua administração quanto à questão ambiental. Reclamam do corte indiscriminado de árvores, da falta de proteção dos fragmentos da Mata de Santa Genebra e da falta de política para a preservação dos mananciais. Qual é, de fato, a proposta ambiental do prefeito Hélio?

A política ambiental do prefeito Hélio começou em 2005. Iniciamos a proteção dos grandes mananciais, como o Anhumas, o Capivari. Estamos dando exemplo ao Brasil elevando o saneamento a um patamar que nenhuma outra metrópole do tamanho de Campinas vai conseguir nesta década.

Qual é o maior problema da máquina pública hoje?

O maior problema, hoje não, é a desmotivação. Vamos fazer concursos públicos, estabelecer um novo método de valorização do agente público e reformular administrativamente. Precisamos promover uma agilidade administrativa porque hoje o município pede competitividade. Os aspectos relacionados à competitividade no passado eram os que fornecia mais metro quadrado para atrair empresas e empreendimentos. Hoje não se trabalha dessa forma. A competitividade está na concepção de projetos e programas que tenham um valor agregado, que proporcionem um melhor retorno para as atividades produtivas e que produzam a melhoria das pessoas no entorno. É promover a empregabilidade ao levar um shopping center para a região do Ouro Verde, ao instalar um supermercado para a região do Campo Grande. Esses desenvolvimentos imobiliários que vão se colocando levam com eles a oportunidade de emprego e melhoria da vida das pessoas que moram ali. E, para isso, a máquina administrativa tem que ser ágil. Ao invés de vendermos patrimônio público, vamos fazer com que os imóveis pertencentes à Administração direta ou indireta sejam arrendados e que criem renda.

Durante as eleições, foi dito que o senhor privatizaria a Sanasa…

Isso é o soluço de quem não tem conhecimento administrativo para jogar um boato dessa natureza. A Sanasa é uma empresa capitalizada.

criado por orlando.t.andrade    15:38 — Arquivado em: Política em Campinas e no mundo.

Entrevista

Qual é o grande desafio do seu segundo mandato?

Nos superarmos.

O senhor atribui o êxito de sua Administração à sua competência administrativa ou ao apoio do presidente Lula, que presenteou Campinas com muitas verbas federais?

A Administração pública municipal é uma somatória de participação de bons secretários, de bons servidores e de excelentes relacionamentos. De credibilidade diante dos apoios sociais da sociedade civil e também do poder público estadual e federal. Hoje, nós temos parcerias importantes com o governo estadual, que é do PSDB. Com ele, conseguimos concretizar algo que eu não consegui nos meus primeiros dois anos de mandato: a conclusão do Corredor Noroeste, a rodoviária e o ramal metropolitano; a duplicação da Estrada dos Amarais, a iluminação do Tapetão e a pavimentação das vicinais. E acessos a diferentes rodovias. Com o governo federal, temos obras em todos os setores — do Esporte à Saúde. Quando você quebra as arestas das diferenças ideológicas, você harmoniza a Administração e caminha para frente.

O senhor tem fama de centralizador…

Sou e vou continuar sendo centralizador. Temos que dar oportunidade para todo mundo discutir e participar. Mas, quando se chega a uma decisão, ela tem que ser cumprida e realizada. Não tem assembleismo, não tem uma reunião para fazer outra.

O senhor quer ser ministro ou governador?

Nem um nem outro. Quero ser um caboclo do Interior que saiba cuidar de uma cidade, que é uma metrópole não- capital do Brasil.

AS FRASES

Em qualquer democracia moderna (…) participam aqueles que ajudaram na construção do processo e das metas de governo.

Vamos congelar os investimentos daquilo que possam ser projetos e programas novos. Os já iniciados continuarão até a finalização.

Sou e vou continuar sendo centralizador. Temos que dar oportunidade para todo mundo discutir e participar. Mas, quando se chega a uma decisão, ela tem que ser cumprida.

criado por orlando.t.andrade    15:33 — Arquivado em: Política em Campinas e no mundo.

Os votos

Quem votou em Aurélio José Cláudio (PDT)

Antônio Francisco dos Santos (PMN), Politizador

Ângelo Rafael Barreto (PT)

Antonio Flôres (PDT)

Arly de Lara Romeu (PSB)

Aurélio José Cláudio (PDT)

Artur Orsi (PSDB)

Aparecido Souza Santos, Cidão Santos (PPS)

Biléo Soares (PSDB)

Sebastião dos Santos (PMDB)

Élcio Batista (PSB)

José Carlos do Nascimento Oliveira, Zé do Gelo (PV)

José Carlos Silva (PDT)

Luiz Henrique Cirilo (PPS)

Paulo Oya (PDT)

Pedro Serafim (PDT)

Petterson Prado (PPS)

Rafael Fernando Zimbaldi (PP)

Sebastião Torres (Sebá) (PSB)

Tadeu Marcos Ferreira (PTB)

Valdir Aparecido Terrazan (PSDB)

Vicente Carvalho e Silva, Vicente da UPA (PV)

Quem votou em Dário Saadi (DEM)

Alberto Alves da Fonseca, Professor Alberto (DEM)

Campos Filho (DEM)

Dário Saadi (DEM)

Francisco Sellin (PDT)

Jairson Valério dos Anjos, Canário (PT)

Jorge Schneider (PTB)

Josias Lech (PT)

Leonice da Paz (PDT)

Luis Yabiku (PDT)

Miguel Arcanjo (PSC)

Sérgio Benassi (PCdoB)

Thiago Ferrari (PMDB)

criado por orlando.t.andrade    13:37 — Arquivado em: Política em Campinas e no mundo.

Composição Mesa da Câmara biênio 2009/2010

Presidente: Aurélio José Cláudio (PDT)
1º vice-presidente: Valdir Terrazan (PSDB)
2º vice-presidente: Rafael Zimbaldi (PP)
1º secretário: Petterson Prado (PPS)
2º secretário: Ângelo Barreto (PT)
Corregedor: Sebastião Torres, o Sebá (PSB)
Corregedor substituto: Sebastião dos Santos (PMDB)

criado por orlando.t.andrade    13:28 — Arquivado em: Política em Campinas e no mundo.

28/11/08

Aquecimento global expulsará 483 mil do Nordeste

Aquecimento global ‘expulsará’ 483 mil do Nordeste até 2050, diz estudo

A notícia não é boa para a região Nordeste do país nesses tempos de mudança climática. Segundo um novo estudo, até meio milhão de pessoas deixarão os estados nordestinos daqui até 2050. A migração deverá ser conseqüência de agricultura e pecuária cada vez menos viáveis, com o aumento das temperaturas. O que deverá afetar a economia e a saúde, primeiramente, da própria população local. E, em seguida, de todo o país.

Os pesquisadores analisaram o impacto do aquecimento global no Nordeste tomando por base os dados do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, em inglês). Os relatórios desse órgão da ONU costumam apresentar diversas projeções, com base em diferentes níveis de reação dos países ao aquecimento global. Da mesma maneira trabalhou o estudo brasileiro, que trabalhou com dois cenários. No mais pessimista deles, cerca de 483 mil pessoas deixariam o Nordeste rumo a outras regiões do país até 2050. De acordo com essa projeção do pior cenário, a temperatura média para a região do Nordeste deverá subir quatro graus Celsius até 2070.

O estudo “Migrações e Saúde, Cenários para o Nordeste Brasileiro, 2000-2050”, financiado pelo Global Opportunities Fund (GOF), por meio da Embaixada Britânica no Brasil, mapeou essas conseqüências sociais e econômicas das mudanças climáticas sobre a região.

Foram quase dois anos para analisar as questões econômica, de migração e saúde pública. A conclusão é que as áreas mais dependentes da agricultura e da agropecuária serão as mais afetadas. Conseqüentemente, as populações atingidas serão os grupos social e economicamente vulneráveis. Como, por exemplo, pequenos produtores agrícolas que não dispõem de bens de produção ou mecanismos de adaptação.

Industrialização - Quanto mais industrializado o estado, menos seus habitantes sofrerão com a mudança climática - como é o caso da Bahia. Por outro lado os estados mais dependentes da agricultura, como o Maranhão, o Piauí e Alagoas, serão mais afetados.

“A desigualdade social poderá até piorar”, diz Edson Domingues, um dos pesquisadores e professor do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Nós não tínhamos idéia de como a mudança climática afetaria o local, pois não temos exemplos passados”, diz

Nesse momento, uma série de problemas serão recorrentes. “Haverá um impacto econômico muito forte no setor da agricultura, que levará a redução de renda, emprego e do PIB do local”, diz Alisson Barbieri, um dos coordenadores do projeto e professor de demografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Isso levará a uma queda acentuada do consumo das famílias, em comparação com as demais regiões do Brasil.

No primeiro instante, as pessoas sairão das zonas rurais em direção às capitais nordestinas. Depois, seguirão rumo à Amazônia — quem vive perto dela — e ao Sudeste e Sul. Ao chegar sem qualificação nas cidades, é possível que tenham dificuldade em conseguir empregos.

Em seguida, o Sistema Único de Saúde será sobrecarregado. Somado às condições sociais e financeiras, em 2050 um terço da população brasileira terá mais de 60 anos. O que demanda mais cuidados com a saúde.

O passado e o futuro - Será que existe uma semelhança entre migrações do Nordeste que aconteceram para a região Sudeste no passado? “Pode haver semelhanças, mas o movimento histórico ocorreu devido à estagnação do Nordeste e o crescimento acelerado do Sudeste; agora o problema está relacionado à mudança climática”, conta Domingues.

Apesar de o estudo ter focado na região Nordeste, o impacto será sentido em todo o país. “Por exemplo, será inviável plantar café no sul de Minas Gerais. Mas o Rio Grande do Sul poderá se beneficiar dessa nova colheita”, explica Domingues. Além disso, o Sudeste e o Sul possuem suas economias também estabelecidas na indústria, o que diminui o problema direto decorrente das alterações climáticas.

O problema relatado pelos estudiosos parece uma “bola de neve” que devastará o Brasil inteiro. Mas existem soluções. “Para mudar essa futura situação, é necessário investir agora em algumas adaptações”, conta Barbieri. “Isso implica novas tecnologias, cultivos mais resistentes ao calor e captação de recursos hídricos para o Nordeste”, diz. Inclusive, em preparar as áreas urbanas para absorver e minimizar problemas com a saúde.

“Com esse estudo esperamos que sejam criadas políticas públicas para atenuar o problema”, afirma Domingues. Afinal, a outra solução demanda esforço global e não apenas brasileiro: diminuir a emissão mundial dos gases de efeito estufa.

Para realizar o estudo, pesquisadores construíram um modelo demográfico que engloba fecundidade, mortalidade e migração da população em todo o Brasil. Incorporaram os efeitos das variáveis econômicas dentro dos cenários de mudanças climáticas. Por fim, quantificaram a vulnerabilidade nordestina na área da saúde e o impacto no Sistema Único de Saúde (SUS).

Desigualdades internas - O impacto econômico das mudanças climáticas no Nordeste será de 11,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2050. Essa perda equivale a, aproximadamente, dois anos de crescimento da economia da região. As áreas com mais problemas para a plantação estarão nos estados do Ceará, Piauí, Paraíba e Pernambuco. Os que mais sofrerão devido à diminuição no PIB serão Pernambuco, Paraíba, Piauí e Ceará. O menos atingido será Sergipe, pois possui terras mais férteis. Apenas 93 municípios nordestinos apresentarão consumo familiar maior do que a média nacional.

Existem dois processos distintos de fluxos migratórios previstos para ocorrer até 2050. Entre 2025 e 2030, os nordestinos deverão recorrer às próprias capitais. Isso porque o cenário prevê um impacto das mudanças climáticas relativamente maior nas regiões Sul e Sudeste nesse intervalo de tempo. A partir de 2035, quase meio milhão de habitantes deixarão a região, principalmente, rumo às capitais metropolitanas nordestinas. O processo de migração deve ser maior a partir das regiões metropolitanas do Recife, de João Pessoa e de Teresina. As cidades de Salvador e São Luís provavelmente perderão população para a Amazônia.

Os municípios com perdas populacionais significativas causadas pela migração até 2030 estão localizados no estados da Bahia, do Maranhão e de Pernambuco. Ganhos populacionais deverão ocorrer no Nordeste central - Piauí, Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte - e no noroeste da Bahia. A partir de 2035, a predominância será a da emigração municipal em todo o Nordeste. Haverá um processo de perda de população em quase todo o Semi-Árido e Nordeste Setentrional. As exceções se localizarão no Sergipe, no norte e no sul do Ceará, no norte e sudeste do Rio Grande do Norte e em municípios do centro e do norte do Maranhão.

Apesar do pequeno crescimento populacional previsto para o nordeste e a baixa expectativa de vida - devido às altas taxas de mortalidade infantil -, a pouca cobertura de saneamento básico registrada no Nordeste indica o potencial problema de saúde que pode ser agravado pelos impactos das mudanças climáticas. As estimativas levam em conta o grau de vulnerabilidade para doença de Chagas, dengue, leishmaniose tegumentar e visceral, leptospirose e esquistossomose, além de dois indicadores da qualidade da saúde infantil - mortalidade por diarréia e desnutrição. Ceará e Pernambuco serão os estados com maior vulnerabilidade. (Fonte: G1)

criado por orlando.t.andrade    14:43 — Arquivado em: Política em Campinas e no mundo.

Aquecimento global ‘expulsarᒠ483 mil do Nordeste

Aquecimento global ‘expulsará’ 483 mil do Nordeste até 2050, diz estudo

A notícia não é boa para a região Nordeste do país nesses tempos de mudança climática. Segundo um novo estudo, até meio milhão de pessoas deixarão os estados nordestinos daqui até 2050. A migração deverá ser conseqüência de agricultura e pecuária cada vez menos viáveis, com o aumento das temperaturas. O que deverá afetar a economia e a saúde, primeiramente, da própria população local. E, em seguida, de todo o país.

Os pesquisadores analisaram o impacto do aquecimento global no Nordeste tomando por base os dados do Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática (IPCC, em inglês). Os relatórios desse órgão da ONU costumam apresentar diversas projeções, com base em diferentes níveis de reação dos países ao aquecimento global. Da mesma maneira trabalhou o estudo brasileiro, que trabalhou com dois cenários. No mais pessimista deles, cerca de 483 mil pessoas deixariam o Nordeste rumo a outras regiões do país até 2050. De acordo com essa projeção do pior cenário, a temperatura média para a região do Nordeste deverá subir quatro graus Celsius até 2070.

O estudo “Migrações e Saúde, Cenários para o Nordeste Brasileiro, 2000-2050”, financiado pelo Global Opportunities Fund (GOF), por meio da Embaixada Britânica no Brasil, mapeou essas conseqüências sociais e econômicas das mudanças climáticas sobre a região.

Foram quase dois anos para analisar as questões econômica, de migração e saúde pública. A conclusão é que as áreas mais dependentes da agricultura e da agropecuária serão as mais afetadas. Conseqüentemente, as populações atingidas serão os grupos social e economicamente vulneráveis. Como, por exemplo, pequenos produtores agrícolas que não dispõem de bens de produção ou mecanismos de adaptação.

Industrialização - Quanto mais industrializado o estado, menos seus habitantes sofrerão com a mudança climática - como é o caso da Bahia. Por outro lado os estados mais dependentes da agricultura, como o Maranhão, o Piauí e Alagoas, serão mais afetados.

“A desigualdade social poderá até piorar”, diz Edson Domingues, um dos pesquisadores e professor do Centro de Desenvolvimento e Planejamento Regional da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Nós não tínhamos idéia de como a mudança climática afetaria o local, pois não temos exemplos passados”, diz

Nesse momento, uma série de problemas serão recorrentes. “Haverá um impacto econômico muito forte no setor da agricultura, que levará a redução de renda, emprego e do PIB do local”, diz Alisson Barbieri, um dos coordenadores do projeto e professor de demografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Isso levará a uma queda acentuada do consumo das famílias, em comparação com as demais regiões do Brasil.

No primeiro instante, as pessoas sairão das zonas rurais em direção às capitais nordestinas. Depois, seguirão rumo à Amazônia — quem vive perto dela — e ao Sudeste e Sul. Ao chegar sem qualificação nas cidades, é possível que tenham dificuldade em conseguir empregos.

Em seguida, o Sistema Único de Saúde será sobrecarregado. Somado às condições sociais e financeiras, em 2050 um terço da população brasileira terá mais de 60 anos. O que demanda mais cuidados com a saúde.

O passado e o futuro - Será que existe uma semelhança entre migrações do Nordeste que aconteceram para a região Sudeste no passado? “Pode haver semelhanças, mas o movimento histórico ocorreu devido à estagnação do Nordeste e o crescimento acelerado do Sudeste; agora o problema está relacionado à mudança climática”, conta Domingues.

Apesar de o estudo ter focado na região Nordeste, o impacto será sentido em todo o país. “Por exemplo, será inviável plantar café no sul de Minas Gerais. Mas o Rio Grande do Sul poderá se beneficiar dessa nova colheita”, explica Domingues. Além disso, o Sudeste e o Sul possuem suas economias também estabelecidas na indústria, o que diminui o problema direto decorrente das alterações climáticas.

O problema relatado pelos estudiosos parece uma “bola de neve” que devastará o Brasil inteiro. Mas existem soluções. “Para mudar essa futura situação, é necessário investir agora em algumas adaptações”, conta Barbieri. “Isso implica novas tecnologias, cultivos mais resistentes ao calor e captação de recursos hídricos para o Nordeste”, diz. Inclusive, em preparar as áreas urbanas para absorver e minimizar problemas com a saúde.

“Com esse estudo esperamos que sejam criadas políticas públicas para atenuar o problema”, afirma Domingues. Afinal, a outra solução demanda esforço global e não apenas brasileiro: diminuir a emissão mundial dos gases de efeito estufa.

Para realizar o estudo, pesquisadores construíram um modelo demográfico que engloba fecundidade, mortalidade e migração da população em todo o Brasil. Incorporaram os efeitos das variáveis econômicas dentro dos cenários de mudanças climáticas. Por fim, quantificaram a vulnerabilidade nordestina na área da saúde e o impacto no Sistema Único de Saúde (SUS).

Desigualdades internas - O impacto econômico das mudanças climáticas no Nordeste será de 11,4% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2050. Essa perda equivale a, aproximadamente, dois anos de crescimento da economia da região. As áreas com mais problemas para a plantação estarão nos estados do Ceará, Piauí, Paraíba e Pernambuco. Os que mais sofrerão devido à diminuição no PIB serão Pernambuco, Paraíba, Piauí e Ceará. O menos atingido será Sergipe, pois possui terras mais férteis. Apenas 93 municípios nordestinos apresentarão consumo familiar maior do que a média nacional.

Existem dois processos distintos de fluxos migratórios previstos para ocorrer até 2050. Entre 2025 e 2030, os nordestinos deverão recorrer às próprias capitais. Isso porque o cenário prevê um impacto das mudanças climáticas relativamente maior nas regiões Sul e Sudeste nesse intervalo de tempo. A partir de 2035, quase meio milhão de habitantes deixarão a região, principalmente, rumo às capitais metropolitanas nordestinas. O processo de migração deve ser maior a partir das regiões metropolitanas do Recife, de João Pessoa e de Teresina. As cidades de Salvador e São Luís provavelmente perderão população para a Amazônia.

Os municípios com perdas populacionais significativas causadas pela migração até 2030 estão localizados no estados da Bahia, do Maranhão e de Pernambuco. Ganhos populacionais deverão ocorrer no Nordeste central - Piauí, Ceará, Sergipe e Rio Grande do Norte - e no noroeste da Bahia. A partir de 2035, a predominância será a da emigração municipal em todo o Nordeste. Haverá um processo de perda de população em quase todo o Semi-Árido e Nordeste Setentrional. As exceções se localizarão no Sergipe, no norte e no sul do Ceará, no norte e sudeste do Rio Grande do Norte e em municípios do centro e do norte do Maranhão.

Apesar do pequeno crescimento populacional previsto para o nordeste e a baixa expectativa de vida - devido às altas taxas de mortalidade infantil -, a pouca cobertura de saneamento básico registrada no Nordeste indica o potencial problema de saúde que pode ser agravado pelos impactos das mudanças climáticas. As estimativas levam em conta o grau de vulnerabilidade para doença de Chagas, dengue, leishmaniose tegumentar e visceral, leptospirose e esquistossomose, além de dois indicadores da qualidade da saúde infantil - mortalidade por diarréia e desnutrição. Ceará e Pernambuco serão os estados com maior vulnerabilidade. (Fonte: G1)

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17/11/08

Hélio de Oliveira Santos

Hélio de Oliveira Santos, ou Doutor Hélio (Corumbá, 6 de setembro de 1950) é um político brasileiro. Viveu em Corumbá até 1966 (naquela época os sobreviventes do Oeste brasileiro tinham apenas três caminhos: se envolver com as atividades ilegais da fronteira, entrar para as Forças Armadas ou ser padre), quando se mudou com seu pai Manoel Belmiro dos Santos (já era órfão se sua mãe, Dirce) e mais um irmão de trem (da extinta Noroeste do Brasil) até Bauru, já em São Paulo, e dali, também de trem, até onde o dinheiro permitisse. O dinheiro deu para chegar a Campinas.

Estudou Medicina na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), tornou-se cirurgião-pediatra e envolveu-se com causas de responsabilidade social quando a expressão nem era usada: criou, em 1985, o Centro Regional de Atenção aos Maus Tratos na Infância (Crami), referência nacional na defesa e proteção de crianças e adolescentes contra a violência doméstica. Partiu para a política partidária. Elegeu-se duas vezes deputado federal e tentou outras duas antes de realizar o sonho de ser prefeito, aos 54 anos. Agora, promete atender a maioria, aqueles que o elegeram: os pobres. Foi deputado federal entre 1999 e 2004 e desde 2005 é prefeito de Campinas, na condição de primeiro afrodescendente a ser eleito prefeito de Campinas.

criado por orlando.t.andrade    9:40 — Arquivado em: Política em Campinas e no mundo.
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