19/10/08
Aliados cobram o apoio dado a Hélio nas eleições
Após vitória nas urnas, partidos esperam fatia no bolo do governo; coligação de Hélio foi de 12 legendas
Depois de obter uma vitória incontestável logo no primeiro turno das eleições municipais, o prefeito reeleito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos (PDT), tem o desafio de governar a cidade ao lado de uma coligação partidária formada por 12 legendas com ideologias completamente diferentes.
Capaz de costurar uma aliança unindo o DEM — que tem suas origens na antiga Arena e no PDS, grupos que foram base de apoio do regime militar nos anos 60, 70 e 80 —, o PP de Paulo Maluf, o PT e o PCdoB, o prefeito já está no meio de uma briga velada no Paço Municipal.
O pedetista terá que repartir cargos e pastas de seu governo para retribuir o apoio obtido na campanha, que garantiu mais de 16 minutos no horário eleitoral gratuito na TV e no rádio. Mas, entre os partidos, ao contrário do que se possa pensar, o que menos importa nesse momento é a implantação de idéias de esquerda, direita ou centro, mas garantir a fatia do bolo que se vai abocanhar.
“Não foi só o Hélio que ganhou a eleição. Sem desmerecer os outros partidos, o PPS merece uma pasta no governo em função do papel que a gente exerceu (na campanha). Os partidos que participaram da coligação vão procurar interferir na Administração e nós apresentamos várias idéias para o plano de metas do governo. É natural esse interesse em abrir espaços”, afirma André Von Zuben, presidente municipal do PPS.
“Mas os cargos nunca foram condição para o apoio. Não temos a ilusão de que vamos colocar de forma integral as nossas propostas, vamos discutir. Isso é da democracia”, conclui.
João Antunes de Oliveira, presidente do PRP de Campinas, afirma ter certeza de que Hélio não vai “decepcionar” o seu partido. “Fizemos a nossa parte e agora esperamos um posicionamento do prefeito. O partido trabalhou com essa finalidade (ocupar um espaço na Administração)”, diz.
O PR local viu na aliança com o prefeito reeleito uma chance de alavancar a sigla e, quem sabe, poder lançar um candidato próprio para prefeito ou para vice nas próximas eleições municipais, em 2012.
“A nossa intenção é participar ativamente na Administração para que isso sirva de caminho para o partido se desenvolver na cidade. Pleiteamos, sim, uma participação no governo e ela tem que ser viável, importante. Pode ser uma secretaria ou autarquia”, adianta Milton Bassi, presidente municipal do PR, que já foi conselheiro fiscal da Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec).
O presidente municipal do PP, Valdir Boscato, garante que, para a legenda trabalhar pela cidade, não há uma obrigação de ocupar um cargo público. Mesmo assim, ele espera que Hélio encontre uma forma do partido colaborar. ‘O prefeito sabe do nosso perfil, ele vai saber onde a gente pode ajudar’ , comenta o presidente, que ainda organiza o seu grupo. ‘Pegamos o partido no final do ano passado e tivemos só dois meses para arrumar candidatos a vereador’ , diz.
Já presente na coligação de Hélio desde o início da campanha do primeiro mandato, o PMDB participa do governo e pretende, no mínimo, manter o espaço conquistado. Lauro Péricles Gonçalves, ligado ao partido e prefeito de Campinas na década de 70, é presidente da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S.A.
“O resultado das eleições foi horrível para nós, só fizemos dois vereadores; mas não vamos impor nomes na Prefeitura. O Lauro só foi para a Sanasa porque o seu currículo preenchia os requisitos necessários”, afirma o presidente local do partido, Cláudio Quércia, que também é diretor da autarquia.
O PCdoB também embarcou na coligação de Hélio no primeiro mandato, mas se aliou ao então candidato no segundo turno. Atualmente, o partido detém a Secretaria de Habitação, com Fernando Vaz Pupo, e a Coordenadoria de Juventude.
Também é do partido o atual líder do governo na Câmara Municipal, o vereador Sérgio Benassi. “A nova Administração é uma outra discussão, vamos ter que conversar. Podemos dar contribuições importantes em várias áreas. O PCdoB merece e precisa de mais espaço”, ressalta João Raimundo de Souza, presidente local. “Temos a experiência de trabalhar com a Habitação, mas também em Esportes e Cultura. A (pasta) Educação seria uma possibilidade”, acena.
Com uma estrutura ainda pequena na cidade, o PSC tinha o objetivo de eleger um vereador e conseguiu, Miguel Arcanjo. “É lógico que queremos participar, mas isso depende do prefeito”, aponta Oldemar Elias, presidente do PSC na cidade.
“O Hélio comentou que os partidos iriam participar do governo de acordo com a sua representatividade. Vários partidos grandes fizeram menos votos do que nós. Gostaríamos de ser valorizados no meio político e na sociedade. Para isso, nada melhor do que estar no poder”, reforça.
O PTB também já faz parte do governo. Seu presidente local, Sinval Dorigon, é o atual secretário de Comércio, Indústria, Serviços e Turismo. “Poderíamos manter essa pasta, mas isso depende do prefeito. Temos quadros para as áreas de Habitação, Indústria e Planejamento, por exemplo. Vamos sentar e conversar, queremos colaborar”, afirma Dorigon.
PT
Com o vice-prefeito eleito, Demétrio Vilagra, mas com um desempenho considerado ruim para a Câmara nessas eleições — apenas três vereadores eleitos —, o PT vem empolgado para ter um papel ainda mais estratégico na próxima Administração. Atualmente, a legenda já ocupa a Secretaria de Transportes, com Gerson Bittencourt, e a administração da Centrais de Abastecimento S.A, (Ceasa), com o próprio Vilagra. “O sucesso do Dr. Hélio é o sucesso de sua equipe e ele sabe do nosso potencial. Temos vereadores afinados com o governo e, elegendo o vice, nossa responsabilidade só aumenta”, afirma Sebastião Arcanjo, o Tiãozinho, atual presidente do partido em Campinas.
“O PT tem a noção de que está participando de um governo de coalizão e o Dr. Hélio tem habilidade para costurar essa aliança. Para mim, não há nenhum problema (em trabalhar com o DEM, por exemplo). A questão não é a pluralidade dos partidos, mas a unidade da ação”, justifica o petista.
O presidente local do PMN, Marcelo Cardoso, não foi localizado pela reportagem. O PDT, partido do prefeito, fez oito vereadores. É a maior bancada da Câmara. Seu presidente local é o próprio prefeito Hélio.
19/10/2008 - 12h20 .
Fábio Gallacci
Da Agência Anhangüera
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